O aumento das ameaças e ataques cibernéticos em ambientes industriais e infraestruturas críticas é uma realidade crescente, impulsionada por fatores como a expansão da tecnologia IIoT, a transformação digital, o aumento do trabalho remoto e a proliferação de ransomware. Esses ataques exploram vulnerabilidades presentes nos sistemas de Tecnologia Operacional (OT), expondo os processos industriais a riscos financeiros e paradas de produção. A gestão de vulnerabilidades surge como um processo crucial para mitigar esses riscos, mas sua implementação em ambientes de OT apresenta desafios significativos.
A gestão de vulnerabilidades em OT difere daquela em IT, pois usualmente lida com equipamentos e softwares legados que raramente recebem atualizações de segurança. A simples varredura (scan) de ativos em OT pode causar interrupções operacionais. Da mesma forma, a aplicação de patches exige também interrupções de produção, gerando custos e paradas. Essa complexidade leva muitas organizações industriais a negligenciarem a gestão de vulnerabilidades e outros processos de segurança cibernética, expondo-se a riscos consideráveis.
Um dos principais desafios na gestão de vulnerabilidades em OT é a falta de um inventário de ativos completo e preciso. Muitas empresas contam com planilhas nem sempre atualizadas ou dados incompletos de fontes diversas, dificultando a identificação dos ativos afetados por uma nova vulnerabilidade e então a avaliação dos riscos. Sem um perfil detalhado de cada ativo, incluindo sua criticidade, localização e acessibilidade remota, torna-se impossível priorizar ações de correção e mitigar os riscos de forma eficaz.
A identificação de vulnerabilidades em ambientes de OT também apresenta desafios específicos. As varreduras tradicionais (scans) podem comprometer a operação dos ativos, além de trazerem informações que se tornarão rapidamente desatualizadas. Ao invés de varreduras, uma abordagem de gestão de sistemas de OT baseada em agentes, com cobertura em tempo real dos ativos e suas vulnerabilidades, pode ser uma alternativa mais eficiente.
A priorização e correção de vulnerabilidades também são desafios complexos. Hoje, com milhares de vulnerabilidades existentes documentadas, é crucial realizar avaliações de risco amplas, que vão além das pontuações CVE* ou CVSS**, para determinar quais ações de correção trarão a maior redução de risco. A aplicação manual de patches nem sempre é possível em ambientes de OT, seja pela própria falta de patches disponíveis ou pela complexidade e tempo necessário para sua implementação. Assim, um sistema automático de gerenciamento de patches, controlada por operadores, que entendem dos sistemas de controle, é fundamental para agilizar esse processo e garantir a confiabilidade do sistema. A rastreabilidade de todo o processo de gestão de vulnerabilidades, desde a identificação até a correção, é essencial para garantir a eficácia e a melhoria contínua da segurança cibernética em ambientes industriais.
* CVE - Common Vulnerabilities and Exposures
** CVSS - Common Vulnerability Scoring System